Friday, September 3, 2010

Migre.Me sai do ar e perde toda a base de dados. E o Disaster Recovery??

Ontem eu lí uma reportagem no site da Info sobre uma falha nos servidores do popular serviço para encurtar URLs, o Migre.Me:
No momento, todos os endereços encurtados usando o formato “migre.me/extensão” estão indisponíveis.
Segundo Jonny Ken, criador do serviço, a empresa responsável pela hospedagem do Migre.me colocou os arquivos e o seu backup em uma mesma unidade. No momento, eles tentam recuperar os dados nos HDs, porém não garantem sucesso na empreitada. Ken prefere não informar o nome da prestadora de serviço.
Segundo ele, a mudança de servidor do UOL Host para a nova empresa foi feita visando melhores possibilidades de expansão e orçamento. No antigo serviço, Ken pagava 3 500 reais de assinatura mensalmente.
“No momento, não sei o que falar. A credibilidade do site foi abalada. Não sei se irei começar de novo”, disse Ken.
O Migre.me era o encurtador de URLs mais popular entre os usuários brasileiros do Twitter. Ele também funcionava como um termômetro dos links mais clicados e assuntos mais comentados no site.
Segundo Ken, o serviço se pagava com suas receitas publicitárias. O site acumulava 10 milhões de usuários entre pessoas que encurtam URLs e que navegavam por sua página.

Como sou tuiteiro, divulguei a notícia para os meus seguidores e alguns perguntaram: e o Disaster Recovery? O próprio Jonny ficou surpreso: "Até onde eu sei, nunca os ovos devem ficar numa cesta só". Vejam:



Jonny foi vítima da confiança em um provedor de serviços. Datacenters são uma espécie de Skynet, algo que se imagina impossível de invadir fisicamente, impossível de pegar fogo, etc. Um evento de desastre num local desses só seria possível em caso de enchente, armaggedon, ou algo parecido. Quando se tratam de serviços de alta demanda, uma palavra deve ser religião na empresa: segurança. Principalmente, segurança dos dados do cliente. O migre.me é a empresa do Jonny. É o ganha-pão dele. Não é a toa o estado que ele se encontrava quando gravou o vídeo. Imagino o frio na barriga e o nervosismo dele quando teve a trágica notícia de que os dados foram perdidos.

Não vou falar dos erros da empresa. O Jonny ainda teve a capacidade de não revelar a empresa responsável pelo desastre. Mais cedo ou mais tarde ela será descoberta. Se eu estivesse no lugar dele, já teria xingado até a 5a geração dos donos da empresa e da família deles. É um ABSURDO que um datacenter perca TODOS os dados de um cliente numa manutenção que deveria durar 30 minutos. O mínimo que se espera é que o servidor dedicado tenha RAID, backup em disco em OUTRA máquina e backup em fita.

Sinceramente espero que o Jonny consiga se reerguer.

UPDATE: Segue a explicação oficial da Argohost sobre o ocorrido. No próprio texto, a Argohost assume que SABIA do risco que corria, deixando a storage sem redundância. No desenho mostrado no próprio post da Argohost, eles mostram que na única storage disponível, os HDs (aparentemente) funcionavam num esquema de RAID1 (mirror/espelhamento), ou seja, todos os dados contidos no HD principal são copiados para o HD espelho. Sabe-se lá como (não foi detalhado pela Argohost) conseguiram destruir os dados nos dois HDs. Essa é uma explicação que eu gostaria muito de ter. De qualquer forma, minha opinião é que a Argohost FOI SIM irresponsável, pois assumiu os riscos e acabou por sofrer com a irresponsabilidade dessa operação. Quem pagou o pato foi o Jonny Ken.

História
Foi durante a Campus Party, evento anual de tecnologia realizado em São Paulo, que o gerente de TI, Jonny Ken, teve a ideia de criar seu negócio. O migre.me funcionaria como um compactador de endereços, aos moldes do tinyurl, e misturaria algumas características de rede social, além de se integrar ao Twitter. A partir daí, demorou menos de uma semana para que essa ideia saísse do papel e ganhasse a web. Numa sexta-feira à noite, Ken registrou um domínio que combinasse com o objetivo do serviço. No final de semana, para a alegria da sua namorada, ele passou os dias programando. Segunda e terça foram feitos os testes e, com um empurrãozinho dos seus amigos da blogosfera brasileira, o migre.me estreou com todos os requintes de uma rede social promissora: saiu do ar logo no primeiro dia por causa do número excessivo de usuários. Ken gastou apenas 30 reais para registrar o seu domínio. Marcelo Tas, Carlos Merigo, Rosana Hermann e o blog Kibeloco foram alguns dos que adotaram o serviço desde o seu início para espalhar seus links pela web. 
UPDATE: Novidades no migre.me:

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